Atividade proposta pela prof. Danielle Nascimento para as turmas do 9º ano durante o período de afastamento social.
EUROPA – UMA
VISÃO DE CONJUNTO
1-
No conjunto de terras chamado Velho Mundo, a Europa,
do ponto de vista físico ou geológico, é apenas uma península da Ásia, mas, do
ponto de vista histórico-social, ela é um continente, pois, ao longo dos
séculos, desenvolveu uma cultura que a diferencia inteiramente da Ásia.
1.1-
Desde o século XV, quando iniciou sua expansão
marítimo-comercial na direção do continente americano e do centro-sul do
continente africano, a Europa passou a desempenhar um papel fundamental em todo
o espaço mundial. Isso porque os europeus impuseram sua cultura aos povos
dominados graças ao uso de armas que eram carregadas com pólvora, explosivo
conhecido apenas na Europa e na Ásia.
1.2-
É, portanto, a história dos povos que habitam essa
península que justifica a expressão continente europeu. Da mesma forma, é a
tradição cultural milenar da Turquia que impede a sua inclusão na civilização
européia. Ainda que, do ponto de vista geográfico, uma pequena porção do
território desse país fique na península balcânica, no sudeste da Europa, sua
organização social (especialmente a religião muçulmana ou islâmica) resulta dos
valores culturais da Ásia.
1.3-
Com pouco mais de 10,5 milhões km² de extensão,
incluindo a parte européia da Rússia, a Europa abriga mais de 700 milhões de
habitantes. E foi em sua porção ocidental que se iniciou a expansão em direção
ao resto Oceano Atlântico e ao resto do mundo. Por isso, a partir do século XV
a Europa ocidental se destacou de maneira particular no espaço geográfico
mundial. Afinal, ela não só colonizou grande parte da superfície terrestre como
também dominou a política, econômica e culturalmente, o que explica a
indiscutível hegemonia que exerceu sobre as áreas conquistadas, pelo menos até
o início do século XX.
2-
A Europa é um continente relativamente pequeno. Como
vimos, tem cerca de 10,5 milhões de quilômetros quadrados, incluindo a parte
ocidental da Rússia. Excluindo esse território, fica com cerca de metade desse
total, uma área bem menor que a do Brasil. Apesar disso, a Europa é bastante
recortada de possui grande variedade de paisagens naturais. Nesse pequeno
continente (Europa sem a Rússia), existem inúmeros países, alguns minúsculos, e
um número muito grande de povos e idiomas. Aí ocorreram grandes rivalidades e
provavelmente o maior número de guerras já registradas em todo o mundo.
2.1- O continente
europeu limita-se, ao norte, com o oceano glacial Ártico. Ao sul, o mar
Mediterrâneo separa a Europa da áfrica. A oeste, a Europa é banhada pelo Oceano
Atlântico, que forma vários mares, golfos e canais: mar do norte, mar Báltico,
mar da Noruega, canal da Mancha, golfo de Biscaia, etc. e a leste, a Europa
liga-se à Ásia por meio dos montes Urais, do Mar Cáspio e do rio Ural,
considerados limites entre os dois continentes.
2.2- Observando o
mapa físico da Europa, percebemos que esse continente possui grandes extensões de terras baixas. São as
planícies Germânico-polonesa, da Hungria, Russo-Sarmática e outras. Mas a
Europa possui também altas cadeias de montanhas: os Alpes, os Alpes escandinavos,
os Apeninos, os Cárpatos, os Pirineus, etc. E numa altitude intermediária,
existem ainda alguns planaltos, especialmente o Central Russo e o do Volga. Os
principais rios europeus, cujos vales normalmente formam planícies densamente
povoadas, são o Reno, o Danúbio, o Volga, o Pó, o Sena, o Elba, o Loire, o
Douro, o Tejo e outros.
2.3- Podemos ainda
ver no mapa as principais ilhas e penínsulas do continente europeu. A oeste, no
Atlântico, estão a Islândia e as várias ilhas que formam o Reino Unido (ilhas
da Grã Bretanha e da Irlanda, além de outras). E, ao sul, no Mediterrâneo,
ficam as diversas ilhas da Itália, da França, da Grécia e de outros países:
Córsega, Sardenha, Silícia, Creta, etc. As principais penínsulas são: ao norte,
a península escandinava, onde se encontram a Noruega e a Suécia, e a península
de Jutlândia, que pertence à Dinamarca; ao sul, a península Ibérica, onde se
encontram Portugal e Espanha, a península Itálica, onde se destaca a Itália, e
a Península Balcânica, onde se situam a Grécia, a Albânia e partes de outros
países.
2.4- De forma geral,
predominam no continente europeu os climas temperados. Esses climas são mais
frios no norte e na parte central (e, logicamente, também nas áreas de altas
altitudes) e mais quentes na parte meridional do continente. São mais úmidos na
parte oeste, vizinha ao mar, e mais secos na parte leste ou continental. Numa
área há uma maior variação anual de temperatura, com invernos bem rigorosos e
verões quentes. São climas que possuem as quatro estações do ano bem definidas,
com precipitação de neve e congelamento dos rios no inverno e calor (que em
alguns lugares pode até ser intenso) no verão. Somente no norte da Europa, nas
vizinhanças do oceano glacial Ártico , é que encontramos o clima frio polar. E,
no extremo sul, nas vizinhanças do mar Mediterrâneo, encontramos o clima frio
polar. E, no extremo sul, o clima mediterrâneo, que tem as mesmas
características de clima subtropical.
3-
Na maioria das vezes, costuma-se dividir ou
regionalizar a Europa em: Europa setentrional, Europa meridional, Europa
central e Europa ocidental. Geralmente se exclui a Rússia da Europa, pois esse
imenso país merece um estudo à parte. Mas essa divisão apresenta muitos
problemas. De um lado, privilegia a localização geográfica e as características
dos elementos naturais dessa faixa, como na Europa setentrional, na Europa
central e na Europa meridional. De outro, a inclusão do Reino Unido na Europa
ocidental indica que os critérios adotados são essencialmente históricos.
3.1- Como os
elementos sociais e históricos são mais significativos para a compreensão do
espaço geográfico contemporâneo, convém estudar a Europa a partir da
industrialização. Afinal, a indústria – atividade básica para a sociedade
moderna – surgiu no continente em razão da situação política da sociedade
inglesa do século XVIII. E uma regionalização nos leva forçosamente a
considerar as questões político-econômicas da sociedade
3.2- Sabendo que a
vida dos vários povos europeus se relaciona diretamente com as questões
político-econômicas, vamos estudar a Europa baseando-nos nas profundas
diferenças que a dividem em duas partes: a dos países que se caracterizam por
apresentar uma economia de mercado; e a dos países que possuíam, até a poucos
anos, uma economia planificada.
3.3- São duas
Europas criadas, em primeiro lugar, pelo processo, que vem de diversos séculos,
de desenvolvimento do capitalismo e industrialização mais acelerado na parte
ocidental do continente e, em segundo lugar, pelos resultados da Segunda Guerra
Mundial (1939-1945), que deixaram a Europa dividida em duas partes principais,
a capitalista e a socialista, com economias planificadas.
3.4- Alemanha,
Dinamarca, Reino Unido ou Grã Bretanha (ou Reino Unido da Grã Bretanha e da
Irlanda do Norte) e França são exemplos de países cuja economia é regida há
séculos principalmente pelo mercado. Seus empresários, ou donos ou
administradores de indústrias, dos bancos, ao tomar decisões a respeito das
atividades econômicas que dirigem, tem um único objetivo: o lucro, que é a
forma pela qual o capital se acumula. Portanto, ao planejar a produção de sua
empresa, o capitalista analisa cuidadosamente o que o mercado oferece (a
oferta) e que solicita (a procura), uma vez que a escassez de um produto
aumenta o seu preço e o excesso de um produto aumenta o seu preço e excesso
provoca a sua queda.
3.5- Polônia,
Hungria, Albânia e República Tcheca são exemplos de países cuja economia foi
durante algumas décadas regidas por uma planificação centralizada, um tipo de
economia na qual a grande maioria das empresas era estatal. Essa planificação,
juntamente com o domínio de um partido político único, o comunista, durante
várias décadas nesses países do Leste europeu, acentuou ainda mais as
diferenças que já existiam anteriormente em relação à Europa ocidental.
4-
A porção da Europa formada pelos países com economia
de mercado consolidada é mais freqüentemente conhecida com Europa ocidental.
Essa é a Europa da eu, das sociedades de consumo. A outra parte do continente,
formada pelos países que durante décadas foram socialistas ou de economia
planificada, é chamada Europa oriental. É a parte ainda hoje atrasada do
continente, que, até 1989, era uma espécie de periferia da União Soviética e
que, nos dias atuais, tanta se integrar à União Européia, buscando o caminho da
industrialização e do consumismo na Europa ocidental.
5-
Os habitantes da Europa ocidental – mesmo aqueles
que vivem de salários – em geral tem acesso na apenas a bens materiais que o
atual desenvolvimento tecnológico coloca à venda no mercado, mas também à
educação, à saúde, às artes, ao lazer, etc. Dessa forma, a Europa ocidental se
destaca pelo elevado padrão de vida da população da maior parte dos países que
a constituem, os chamados países capitalistas desenvolvidos, na maioria
bastante industrializados.
5.1-
A população da Europa oriental em geral apresenta um
padrão de vida inferior ao do europeu ocidental, mas quase toda a população do
Leste europeu também tem acesso à educação e à saúde, que sempre foram
gratuitas e de boa qualidade nesses países. Apesar de não haver um elevado
nível de consumo, essa população é atendida em suas necessidades básicas:
moradia, educação, alimentação, saúde, etc.
5.2-
A Europa ocidental é composta por 24 Estados
nacionais: Alemanha, Andorra, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia,
França, Grécia, Irlanda, Islândia, Itália, Liechtenstein, Luxemburgo, Malta,
Mônaco, Noruega, Países Baixos (Holanda), Portugal, Reino Unido, San Marino,
Suécia, Suíça e Vaticano.
5.3-
A Europa oriental atualmente é formada por 15
Estados nacionais: Albânia, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Eslováquia,
Eslovênia, Estônia, Hungria, Sérvia e Montenegro (ex-Iugoslávia), Letônia,
Lituânia, Macedônia, Polônia, República tcheca e Romênia.
5.4-
Com o final da oposição entre capitalismo e
socialismo nos anos 1990, verdadeiras multidões de pessoas na Europa oriental
(da antiga Alemanha oriental, da Albânia, da Eslováquia, da Bósnia, etc.) foram
tentar a vida na parte ocidental do continente. Houve intensas migrações, que
em parte ainda prosseguem. No entanto, os investimentos europeus ocidentais,
especialmente os alemães, na parte leste do continente vêm tentando criar
empregos e controlar esse intenso movimento migratório.
5.5-
Porém, em cada um desses dois grandes grupos de
países há outras notáveis diferenças. Por exemplo, na Europa oriental, a
Albânia é um país que ainda se diz socialista e que concentra no setor
primários suas principais atividades econômicas, enquanto a Polônia e a
República Tcheca apresentam economias altamente industrializadas. Por outro
lado, na Europa ocidental, o padrão de vida dos povos da parte meridional
(principalmente Portugal, Grécia, parte a Espanha e sul da Itália) está muito
distante das condições extremamente favoráveis daqueles que habitam a Bélgica,
os Países Baixos, a Inglaterra, a Suécia, a Alemanha ou a França.
5.6-
Paralelamente, é necessário compreender que existem
diferenças regionais consideráveis no interior de cada país. Assim, o norte da
Itália é tradicionalmente muito industrializado, ao passo que o sul ainda se
destaca pelas atividades agrícolas, modernizadas apenas a partir da década de
1950, e por uma população que vive em condições precárias para o padrão de vida
da Europa ocidental. Apesar dessas diferenças entre uma região e outra, a Itália
é um dos países europeus que fazem parte do grupo das sete maiores economias de
mercado do mundo, os chamados sete grandes, Estados Unidos, Canadá, Japão,
Alemanha, Reino Unido, França e Itália.
ATIVIDADES
I- Faça um resumo
dos aspectos fisiográficos da Europa.
II- Quais são os
dois principais critérios usados para regionalizar a Europa? Compare-os.
III- Mencione os
principais traços que distinguem a Europa ocidental da oriental.

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