Atividade proposta pela prof. Danielle Nascimento para as turmas do 2º ano A e B, durante o período de isolamento social.
A URBANIZAÇÃO DO BRASIL
1-
Em nosso país, um número cada vez maior de pessoas
vive nas cidades.
1.1- A medida que aumentou a
participação do setor industrial na economia, o número de habitantes das
cidades passou a crescer mais do que o de moradores do campo. Esse processo é
chamado de urbanização.
2-
O processo de urbanização não ocorreu de maneira
uniforme. Em 1991 ainda existiam estados nos quais a população rural era
maioria, como Maranhão e Rondônia, por exemplo. Os estados mais urbanizados são
aqueles que concentram a atividade industrial e os serviços, como São Paulo,
Minas Gerais e Rio de Janeiro.
3-
As cidades surgiram muito antes de existirem
indústrias. Porém, o processo de industrialização intensificou a urbanização.
3.1- Tipicamente urbana, a atividade comercial
foi influenciada pela industrialização: as indústrias compram matéria-prima e
vendem seus produtos, assim como os trabalhadores das fábricas compram o que
precisam para viver.
3.2- Para funcionar, uma indústria
necessita de infra-estrutura urbana. O sistema viário (ruas e avenidas), por
exemplo, deve ser eficiente para permitir o deslocamento da matéria-prima, dos
trabalhadores e do produto final. Para aumentar a segurança e facilitar o seu
uso à noite, as vias exigem um sofisticado sistema de iluminação pública. Outro
equipamento empregado pelas atividades industriais e comerciais são os sistemas
de comunicação (redes telefônicas e de computadores). Como as indústrias
localizam-se próximas umas das outras para facilitar o comércio de matéria-prima,
a infra-estrutura urbana é ampliada, compondo uma paisagem urbana densa e
concentrada.
4-
A modernização do campo é outro fator que explica a
urbanização.
4.1- Com a introdução de máquinas nas
práticas agrícolas, parte dos trabalhadores ocupados na agricultura foi
dispensada. O uso de máquinas, associado ao de sementes especiais, defensivos
agrícolas etc, aumentou a produtividade. Assim, passou-se a produzir mais
empregando menos mão-de-obra. Como conseqüência, os moradores das áreas rurais
migraram para as cidades. (êxodo rural)
5-
A urbanização não pode ser entendida apenas como o
resultado do êxodo rural. Ela representa uma profunda mudança no modo de vida.
5.1- Imagine como era a vida de um
trabalhador do campo. Ele acordava, tomava o café da manhã e seguia a pé para a
sua roça, onde trabalhava para produzir alimento. Ao fim da jornada voltava
para casa, também a pé. O que ele cultivava era consumido por sua família. O
excedente era vendido. Dessa forma, o trabalhador do campo conseguia o dinheiro
necessário para comprar, na cidade, o que lhe faltava.
5.2- Pense, agora, no cotidiano de um
trabalhador urbano. Ele acorda, toma seu café da manha e vai para o trabalho,
na maior parte das vezes utilizando um meio de transporte (trem urbano, metrô,
carro, ônibus, etc). Passa grande parte do dia em um ambiente fechado. Ao final
da jornada volta para casa, usando novamente um meio de transporte. Para
comprar roupas, alimento, pagar pela moradia (aluguel, financiamento
habitacional, condomínio, imposto territorial urbano), usa seu salário, que
recebe após um mês de trabalho.
5.3- Essa diferença é fundamental. A
urbanização representa o abandono das praticas agrícolas e o confinamento no
local de trabalho, impedindo as pessoas de produzirem diretamente o que
precisam para viver. Com isso, a urbanização acentua a divisão do trabalho
entre o campo e a cidade. O trabalhador urbano depende do salário para fazer
qualquer coisa. Por isso o desemprego é um problema tão grave nas sociedades
modernas.
5.4- No caso do Brasil, essa dependência
é relativamente recente. Até a primeira metade do séc. XX, quando a
industrialização ganhou um grande impulso, uma parte significativa da população
rural vivia, fundamentalmente, do fruto de seu próprio trabalho. Ela se
abastecia na cidade apenas de alguns poucos produtos, tais como açúcar,
querosene, tecido, trigo e sal.
6-
As primeiras cidades desenvolveram-se no litoral
porque os colonizadores portugueses visavam proteger o território contra
possíveis invasores.
6.1- Com o desenvolvimento da cultura
da cana-de-açúcar, as cidades passaram a escoar a produção para os mercados
europeus. A produção da cana era feita por escravos que viviam no campo.
6.2- A atividade canavieira não
desenvolveu um mercado consumidor na Brasil colonial. Escravos não recebiam
salário. Nas poucas vezes em que iam à cidade, os senhores de engenho
abasteciam-se de produtos importados da Europa.
7-
A partir do século XVIII, a atividade mineradora
provocou a interiorização das cidades, que passaram a se desenvolver em função
da presença de ouro e de pedras preciosas.
8-
Outro momento importante no processo de formação das
cidades foi na introdução do cultivo de café, principalmente nos estados de São
Paulo e do Paraná.
8.1- As cidades foram surgindo
conforme avançava a cultura do café, pois nelas se realizavam as atividades
comerciais. O plantio era feito sem a preocupação de conservar os solos, o que
acabava levando ao esgotamento da terra. Os fazendeiros passavam, então, a
desmatar novas áreas para o plantio. Esse movimento, conhecido como frente
Pioneira, originou cidades a partir do século XIX.
8.2- Para transportar o café até o
porto de Santos, foram construídas ferrovias utilizando tecnologia inglesa.
8.3- O fato relevante, porém foi o de que os
imigrantes (italianos) que chegaram a São Paulo para plantar café eram
assalariados e traziam consigo hábitos de consumo urbanos. A ampliação do
mercado consumidor local contribuiu para o início do processo de
industrialização do país. Além disso, o dinheiro acumulado pelos cafeicultores
paulistas financiou parte das primeiras indústrias do país.
9-
Algumas cidades brasileiras foram planejadas, isto
é, projetadas, como Belo Horizonte (1897), em Minas Gerais, Goiânia (1935), em
Goiás, e Brasília (1960), no Distrito Federal.
9.1- Apesar do planejamento, essas
cidades cresceram de forma desordenada e enfrentam problemas comuns as outras
grandes cidades do país.
10-
A partir de 1970, surgiram cidades na Amazônia
brasileira, em decorrência da instalação de projetos agropecuários e da
instalação e construção de usinas hidroelétricas.
10.1- Antes disso, desenvolveu-se
Manaus, que teve seu apogeu no século XIX, durante a extração do látex das
seringueiras. Com a criação da Zona Franca, em 1967, Manaus sofreu um novo
impulso de crescimento populacional.
11-
O fenômeno da conurbação levou à criação das regiões
metropolitanas.
11.1- O crescimento rápido das cidades
brasileiras causou imensas concentrações populacionais. O movimento da
população não obedeceu aos limites territoriais de muitos municípios. Em
conseqüência, bairros populosos originaram-se nas periferias das cidades,
provocando o seguinte problema: como fiscalizar e preservar as fontes de
abastecimento de água que servem a todos os municípios? Quem deve levar
transporte coletivo para aqueles bairros? O Município A ou o município B? E a
população? Vai usar o posto de saúde do município A ou o do B? Ou o que estiver
mais perto?
11.2- Por meio das regiões
metropolitanas, tentou-se estabelecer um mecanismo de gestão comum para o
município mais povoado e seus vizinhos conurbados. Desse modo, seria possível
desenvolver uma política de saúde única, por exemplo, que obedecesse a
critérios populacionais na distribuição de hospitais e postos de saúde. Assim,
a população poderia escolher sempre a unidade mais próxima e o custo seria
rateado entre os municípios envolvidos.
12-
Um fenômeno muito importante está ocorrendo na
Região Sudeste: a formação de uma megalópole. A megalópole é o fruto da fusão
territorial de duas ou mais metrópoles
12.1- No caso brasileiro, esse fenômeno
está acontecendo no eixo Rio – São Paulo, ao longo da Rodovia Pres. Dutra. Do
lado carioca, destaca-se a urbanização e a industrialização da Baixada
Fluminense. Do lado paulista, a mancha urbana avança para além da Grande São
Paulo, expandindo-se na direção de Campinas e da Baixada Santista e continuando
no Vale do Paraíba rumo ao Rio de Janeiro. A rodovia Dutra já é considerada por muitos uma grande
avenida.
13-
Estabelece-se uma rede urbana quando há um conjunto
de cidades que mantêm relações culturais, comerciais, financeiras, etc. entre
si, sob o comando de um centro urbano mais importante.
13.1- Este distribui bens e serviços
para os demais municípios que estão sob sua influência. Os centros urbanos
intermediários, por sua vez, prestam serviços e fornecem mercadorias para os
centros urbanos locais, ainda menores.
14-
No território brasileiro, encontram-se metrópoles
nacionais, metrópoles regionais, centros submetropolitanos e capitais
regionais. Essa tipologia de cidade é baseada na distribuição de serviços e
mercadorias pelo território nacional.
14.1- As metrópoles nacionais,
São Paulo e Rio de Janeiro, oferecem serviços especiais exclusivos, atraindo
pessoas de outros centros. Os melhores hospitais do país, por ex., estão em São Paulo. Também
ficam em São Paulo
as sedes de muitos bancos e empresas que atuam em todo o Brasil. No Rio de
Janeiro encontra-se uma intensa vida cultural, com uma agenda repleta de casas
de espetáculos, teatros e cinemas. Mas a cidade se destaca no cenário nacional
por sediar importantes órgãos federais, herança da época em que foi a capital
do Brasil.
14.2- As metrópoles regionais
são o próximo nó da rede urbana brasileira. Elas abastecem os centros
regionais, segundo a sua capacidade de criar serviços e mercadorias. Salvador,
Recife e Fortaleza são metrópoles regionais do Nordeste brasileiro. Elas
distribuem serviços médicos, educacionais e financeiros por todo o espaço
regional. Curitiba e Porto Alegre são os mais importantes centros urbanos da
Região Sul. Já Belo Horizonte, uma metrópole regional interiorizada, exerce
influência por uma vasta área que se prolonga até o norte de Minas Gerais.
15-
O Brasil é um país de muitas desigualdades sociais.
Esse fato se reflete na qualidade de vida dos moradores das cidades brasileiras
e na paisagem urbana.
15.1- Na maioria delas, encontraremos
favelas, cortiços e moradores sem teto (que habitam em terrenos públicos e
embaixo das pontes). Isso ocorre porque o preço da terra urbana (dos lotes) é
muito alto para grande parte da população. Como resultado, ela não tem dinheiro
sequer para pagar um aluguel e acaba morando em condições muito precárias.
15.2- Na cidade subterrânea, aquela
que não conseguimos ver, pois está debaixo de nossos pés. Também existem
indicadores importantes da qualidade de vida de uma cidade ou bairro. É por lá
que circulam, ou deveriam, a água encanada e esgoto domiciliar e industrial.
15.3- Outro indicador da qualidade de
vida nas cidades é o total de área verde por habitante.
15.4- A oferta de transporte coletivo
(ônibus, metrô e trens urbanos) é outro indicador da qualidade de vida de uma
cidade.
ATIVIDADES
I- Quando se
iniciou a urbanização do Brasil?
II- O que significa
rede ou sistema urbano?
III- Quais são os
seus principais níveis ou tipos de cidades?

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